A meditação do movimento: entrevista com Paz Plou

Em tempos de mudança e de procura de sentido, Paz Plou surge como uma figura inspiradora que soube transformar a sua paixão na sua profissão. O seu percurso é um testemunho de coragem e do poder transformador do movimento.

Nesta entrevista, Paz leva-nos numa viagem fascinante, do mundo empresarial ao ofício de professora de ioga e instrutora de disciplinas como o Ballet Fit® e o Barre. Conta-nos como o movimento lhe ofereceu não só paz e cura, mas também uma forma de se reencontrar.

Através das suas palavras, convida-nos a refletir sobre a importância de seguir o instinto, enfrentar os desafios com coragem e procurar a felicidade em cada passo do caminho. Os seus ensinamentos sobre o cuidado de si, a meditação e a ligação a si própria oferecem uma visão inspiradora de como a dança e o ioga podem ser poderosas ferramentas de crescimento pessoal e cura.

Entrevista com Paz Plou @pazfisica por David A.

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Paz, gostava de começar pela tua passagem dos recursos humanos para o ioga e a dança. Que conselho darias a quem procura uma mudança semelhante?

Claro. Estudei pedagogia e trabalhei vários anos numa escola. Depois fiz um mestrado em recursos humanos, porque me apaixona a gestão de pessoas, e trabalhei mais de dez anos numa consultora. A pandemia foi um ponto de viragem: decidi formar-me em algo que sempre fez parte importante da minha vida, a dança e o desporto.

Foi um momento difícil, porque significava começar do zero, mas ouvi o coração e lancei-me. Procurar essa felicidade, mesmo que o caminho seja complicado, vale sempre a pena. Sentia que tinha algo por terminar e decidi seguir o instinto.

A quem procura uma mudança, o meu conselho é confiar em si e não deixar que o medo o paralise. O medo deve ser transformador, não paralisante. Se não está satisfeito com o seu trabalho ou com o seu dia a dia, pergunte-se porquê. Atreva-se: só se vive uma vez. Aproveite e dê o salto.

O medo deve ser transformador, não paralisante

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O que te inspirou a juntar ensinamentos como o ioga, a dança e o fitness?

Desde pequena que tenho uma grande paixão pelo ensino. Adoro ajudar as pessoas e partilhar o que sei; ensinar preenche-me. Sempre tive também uma inclinação natural para o desporto e o movimento. Queria encontrar uma forma de unir o meu gosto por ensinar ao bem-estar físico.

O que me levou a juntar ioga, dança e fitness não foi um acontecimento concreto, mas uma necessidade interior. Sentia uma voz a dizer-me que tinha de fazer algo diferente. Se queres mudar de vida, muda. A idade não é obstáculo para mudar de rumo.

Quais foram os maiores desafios desta transição?

Enfrentei muitos desafios neste processo. Não é fácil. Há muitos contratempos, mas quando olhas para trás percebes o quanto foste corajosa. Cada passo dá-te mais confiança e mais impulso para continuar.

Além disso, é essencial rodear-se de pessoas que somam. As que não somam, é melhor mantê-las à distância. É fundamental ter à volta pessoas que nos apoiam, celebram as nossas conquistas, nos incentivam nos momentos difíceis e se alegram nos bons.

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De que forma o exercício físico, o desporto e sobretudo o ioga moldaram a tua filosofia de vida e o teu desenvolvimento espiritual?

É sobretudo o ioga a prática que mais marcou a minha filosofia de vida e o meu desenvolvimento espiritual. Ao contrário de outras formas de exercício mais viradas para a forma física ou para o desempenho, o ioga ofereceu-me uma transformação interior. Sou uma pessoa nervosa por natureza e a prática deu-me uma calma que não conhecia. Ensinou-me a ouvir-me, a saber parar e a ver a vida de outra perspetiva, encontrando momentos para regressar ao presente.

No plano físico, os exercícios mais intensos e o desporto também foram essenciais. Mexer-me, seja através da dança, do ioga ou de qualquer outra atividade, é vital para o meu bem-estar. O movimento dá-me paz, ajuda-me a reencontrar-me e a curar.

O movimento dá-me paz, ajuda-me a reencontrar-me e a curar

Podes partilhar uma experiência reveladora do teu percurso no ioga ou na dança que te tenha marcado de forma duradoura?

Sim, claro. Uma experiência reveladora aconteceu durante a gravidez, quando comecei a praticar ioga pré-natal. Ao início não conseguia estar mais de cinco minutos em Savasana. Era um desafio. Mas à medida que continuei a praticar, comecei a descobrir facetas do ioga que vão além das posturas. Comecei a ouvir a minha mente durante Savasana e a sentar-me comigo própria depois de cada prática, dedicando alguns minutos à meditação.

Este processo ensinou-me a dar à minha mente aquilo de que precisava, não aquilo que queria. Dedicar-me à meditação durante Savasana foi um ponto de viragem. Percebi quanto podia aprender apenas sentando-me comigo própria e, a partir daí, aprofundei a meditação como forma de encontrar calma.

Descobri facetas do ioga que vão além das posturas

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Que benefícios observaste no corpo e na mente ao integrar a prática do ioga?

Aprender a respirar bem foi uma revelação. A respiração consciente teve um impacto enorme na minha vida: mudou a forma como lido com o stress e a ansiedade. Controlar a respiração é fundamental, porque é ela que nos move e nos dá vida. Aprender a controlá-la permitiu-me mudar a mente e, por consequência, a vida.

Com a prática do ioga e a meditação aprendi a respirar melhor e a encontrar calma no dia a dia. Estas mudanças tiveram um efeito duradouro no meu bem-estar físico e mental, e continuo a aprender todos os dias neste caminho.

Aprender a respirar bem foi uma revelação

Que conselho darias a quem nunca considerou a meditação ou não sabe como prestar mais atenção à respiração?

O meu conselho é começar de forma simples e gradual. Comece por sentar-se em silêncio, nem que seja um minuto por dia, e vá aumentando para dois, três, e assim sucessivamente. É normal sentir desconforto ao início. Quando sentir esse desconforto, observe-o e pergunte-se porquê.

O importante é persistir. É preciso querer fazê-lo, ter vontade. A minha recomendação é experimentar durante pelo menos um mês. Deixe que o corpo e a mente se adaptem a esta nova prática. Se ao fim desse tempo continuar sem se sentir confortável, não faz mal parar. Mas dê-lhe pelo menos uma oportunidade. A meditação e a atenção à respiração podem transformar-lhe a vida de formas que talvez não imagine.

A meditação e a atenção à respiração podem transformar-lhe a vida

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O que te levou a fundir o ballet com o fitness e a formar-te em disciplinas como o Ballet Fit® e o barre?

Quando decidi mudar de rumo e formar-me em ioga, comecei a explorar diferentes disciplinas. Descobri o Ballet Fit®, uma disciplina baseada em exercícios de ballet levados para um lado mais fitness, e também o barre, que junta elementos de ballet, ioga e Pilates. Como tinha formação em ballet e outras formas de dança, pareceu-me a combinação perfeita das minhas duas paixões: dança e fitness.

Durante vários anos fiz muito aeróbica e step. Hoje em Madrid quase não há aulas destas disciplinas, de que tenho tantas saudades. Lembro-me de que eram tempos maravilhosos, com convenções e muita diversão. Sempre adorei dançar e acredito firmemente no seu poder terapêutico. Dançar é uma terapia para o corpo e para a alma: liberta tensões e traz uma alegria imensa.

Recomendo a toda a gente que dance, em casa, num bar, onde for, sem medo nem preocupações. Dançar como se ninguém estivesse a ver é incrivelmente libertador e curativo.

Juntar dança e fitness foi natural para mim. Vi os enormes benefícios físicos destas disciplinas: força, flexibilidade e um trabalho completo. Decidi formar-me e tem sido uma forma maravilhosa de unir as minhas paixões e partilhar os seus benefícios.

Dançar é uma terapia para o corpo e para a alma

De que forma as tuas emoções e experiências influenciam a tua prática de ioga, dança e treino funcional? Como te ajudam estas disciplinas a expressares-te?

Para mim, o ioga e a dança são formas de evasão e de cura. Mexer-me é essencial para o meu bem-estar. A dança, o ioga e qualquer tipo de exercício têm um poder curativo incrível. São vitaminas para a alma e para o corpo. Ajudam-me a equilibrar a mente, a libertar tensões e a encontrar paz.

A dança, em especial, dá-me uma felicidade imensa. É uma sensação difícil de explicar, mas muito real e muito poderosa. Estas práticas não só me permitem exprimir as emoções, como transformar qualquer emoção negativa em energia positiva e vital.

Faço também treino funcional para trabalhar força e cardio, duas ou três vezes por semana, e é o meu momento «sagrado». Fortalece-me por dentro e por fora.

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Falávamos de meditação. Como podemos estar mais presentes e ligados no dia a dia?

Estar presente e ligado no dia a dia é como treinar a mente, tal como treinamos o corpo. Um primeiro passo importante é voltar a ligar-se à natureza. Se vive na cidade, tente escapar de vez em quando para um ambiente natural, a serra ou o mar. A natureza rodeia-nos e sustenta-nos, mas muitas vezes damo-la como garantida.

Que mais podemos fazer para encontrar momentos de ligação e presença no dia a dia?

É essencial encontrar momentos para parar e maravilhar-se com as coisas simples. Ver um pássaro a voar pode parecer pouco, mas é uma maravilha.

Ser grato pela nossa existência e pelos pequenos detalhes que a vida nos oferece é fundamental. Vivemos num mundo cheio de ruído e stress, e esses momentos de pausa e reflexão ajudam-nos a manter-nos presentes.

Ter filhos também me ensinou muito sobre isto. As crianças maravilham-se com a chuva, o mar ou a areia, e isso lembra-nos como deveríamos olhar para o mundo: com espanto e admiração. Aprender a maravilhar-se com as coisas simples ajuda-nos a estar mais ligados e presentes.

Aprender a maravilhar-se com as coisas simples ajuda-nos a estar mais ligados e presentes.

Podes referir algumas das pessoas que mais te inspiraram e orientaram? Como marcaram os seus ensinamentos a tua abordagem profissional e pessoal?

Acredito que somos todos o resultado das nossas experiências e da educação que recebemos, sobretudo em família. A minha foi fundamental no meu desenvolvimento. A minha mãe, apesar das nossas diferenças, foi uma grande fonte de inspiração. É uma lutadora incansável e com ela aprendi a importância da constância e da paciência para conseguir o que se quer.

No plano da formação, uma das pessoas que mais me influenciou é a Montse Cob, a minha primeira professora de ioga. Ensinou-me muito sobre quietude e calma. Lembro-me de que, no fim da formação, tinha aprendido muito mais do que executar posturas. Tinha aprendido a concentrar-me e a estar presente, e isso foi maravilhoso.

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Como gostarias que as pessoas se sentissem depois de uma das tuas aulas de ioga ou dos teus retiros?

Desejo que cada participante saia com uma boa memória de ter movido o corpo e trabalhado a mente. Quero que sinta a satisfação de se ter dado esse tempo e que saia com uma sensação de bem-estar, físico e mental.

Quero que encontrem momentos para se dedicarem a si próprios, que se desliguem do stress diário e se liguem a outras pessoas. O meu objetivo é que se sintam inspirados e motivados para continuarem a cuidar de si e a explorar o seu próprio caminho.

Que ensinamentos e mensagens queres transmitir aos teus alunos?

O meu objetivo principal é que as pessoas se sintam bem, física e mentalmente. Se conseguir ajudar alguém a sentir-se melhor nestes aspetos, sinto-me realizada. Quero motivar as pessoas a mexerem-se, a praticarem desporto e a cuidarem de si. É fundamental que cada um encontre o seu próprio caminho de cuidado pessoal, seja pelo ioga, pelo desporto ou por outras práticas.

É essencial que as pessoas aprendam a alimentar-se, mental e fisicamente. A minha mensagem é clara: amem-se e dediquem tempo a cuidar de vocês.

Amem-se e dediquem tempo a cuidar de vocês

Como gostarias que o teu legado marcasse as futuras gerações de praticantes?

Gostaria que o meu legado inspirasse os meus alunos a encontrar equilíbrio nas suas vidas. Incentivo-os a desfrutar de cada momento e a lutar pelos seus sonhos, por mais utópicos que pareçam. É essencial conhecermo-nos e permitirmo-nos sentir todas as emoções, mesmo as negativas.

As minhas aulas e retiros são espaços para partilhar, crescer e viver em comunidade. Quero que os meus alunos levem a experiência de terem feito parte de um grupo onde se partilha e se apoia. Seja numa aula de ioga ou noutro contexto, é fundamental criar estes espaços de ligação e apoio.

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A Paz levou-nos numa viagem inspiradora que demonstra o poder transformador do movimento. Através da sua prática e do seu ensino, convida-nos a refletir sobre a importância de enfrentar os desafios com coragem, rodearmo-nos de pessoas que acrescentam valor às nossas vidas e ligarmo-nos à essência da natureza para encontrar felicidade em cada passo.

A sua coragem ao deixar o mundo empresarial para seguir a paixão pela dança e pelo ioga lembra-nos como é importante ouvir o coração e perseguir os nossos sonhos.

Obrigado, Paz Plou @pazfisica, por partilhares o teu percurso inspirador e por nos mostrares como a dança e o ioga podem ser ferramentas essenciais de crescimento pessoal e cura.

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